PUBLICIDADE

publicidade

Conselho de Ética da Alesp faz hoje a primeira reunião sobre pedidos de cassação

O deputado Arthur do Val terá prazo equivalente a período em que ocorrerem cinco sessões da Assembleia Legislativa para apresentar sua defesa.

O Conselho de Ética da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) realiza nesta quarta-feira (9), às 10h, a primeira reunião para debater as representações contra o deputado estadual Arthur do Val em razão de suas falas sobre mulheres ucranianas em um áudio vazado. O parlamentar, que viajou para a Ucrânia afirmando que faria uma missão humanitária, enviou áudio do país que enfrenta uma guerra contra a Rússia em que dizia que as mulheres locais “são fáceis porque são pobres”.

Até a tarde desta terça-feira (8), o Conselho de Ética havia recebido 16 representações contra o deputado — 12 individuais e 4 coletivas —, a maioria delas com pedido de cassação do seu mandato por quebra de decoro. Mais de 30 parlamentares de partidos de esquerda, centro e direita estão entre os que pedem a perda do cargo de Arthur do Val – alguns assinam mais de uma representação.

Nessa primeira reunião, está prevista a aplicação da pena de advertência ao deputado. Além disso, as representações deverão ser apensadas, ou seja, juntadas, para que apenas uma continue tramitando. Entenda alguns dos principais passos que o Conselho de Ética adotará a partir de agora e regras do regimento interno.

• Os processos têm prazo de 30 dias de tramitação. Até esta terça-feira (8), 16 representações haviam sido recebidas e foram distribuídas ao deputado Arthur do Val para sua ciência e aos membros do colegiado. São nove efetivos, além de nove suplentes, do vice-presidente, da presidente, Maria Lúcia Amary (PSDB), e do corregedor da Alesp, o deputado Estevam Galvão (DEM).

• Os processos serão apensados e um só continuará tramitando.

O deputado Arthur do Val terá prazo equivalente a período em que ocorrerem cinco sessões da Assembleia Legislativa para apresentar sua defesa.

• Em seguida, o conselho votará a admissibilidade do processo e nomeará um relator, que terá prazo de 15 dias para apresentar o parecer e seu voto, que será apreciado pelo grupo. O texto poderá recomendar o arquivamento ou então punições, como advertência verbal ou escrita, suspensão por um período ou mesmo a cassação.

• Caso haja decisão pela perda de mandato, temporária ou permanente, é necessária a aprovação da Mesa Diretora da Casa.

• Em seguida, o caso vai a plenário na Alesp, e será necessário o voto da maioria dos deputados para que Arthur do Val perca o cargo. A Assembleia Legislativa de São Paulo conta com 94 deputados.

Repercussão

As falas de Arthur do Val mobilizam os debates na Assembleia Legislativa. A deputada Maria Lúcia Amary (PSDB), presidente do Conselho de Ética, disse considerar “lamentável” a manifestação do deputado sobre as mulheres ucranianas. Ela ressaltou que precisa manter sua impessoalidade como presidente do Conselho de Ética, mas que, como mulher, repudia as falas sexistas.

“Esse diálogo é inaceitável em qualquer ambiente, mais ainda num momento de sofrimento pela guerra, com refugiadas em fila pela vida, e no mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher”, afirmou. Ela disse ainda que as mulheres que fogem da Ucrânia “estão com pleno sofrimento de guerra” e que “acontecer um depoimento de uma figura pública nesses termos gera preocupação. “Existe uma diferença entre imunidade e impunidade”, declarou.

O deputado Altair Moraes (Republicanos), um dos que fizeram representação com pedido de cassação do mandato de Arthur do Val, afirmou que as falas consistem em um “ato criminoso, irresponsável e indesculpável”. “O camarada vai para a Ucrânica, afirmando que vai fazer um trabalho humanitário, e se comporta dessa forma”, ressaltou.

Segundo o deputado, os parlamentares pedem “celeridade em uma resposta para a sociedade e para as mulheres ucranianas, que foram as mais ofendidas”. Ele cita ainda o impacto para a Assembleia Legislativa, que vem sendo citada inclusive em reportagens internacionais sobre o fato negativo, e refuta o argumento apresentado em pedido de desculpa por do Val — no qual o parlamentar afirma que mandou o áudio para um grupo de amigos. Moraes chama a atenção para o fato de se tratar de uma pessoa com cargo público. “Ele jamais poderia divulgar um áudio assim”, concluiu.

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Carlão Pignatari (PSDB), fez um pronunciamento na abertura da sessão da segunda-feira (7) e afirmou que o Parlamento dará uma resposta a todos os casos apurados pelo Conselho de Ética. Em sua fala, o presidente disse que o caso será analisado de forma independente e imparcial pelo Conselho de Ética e que “palavras, posições e decisões pessoais de um parlamentar não representam, de forma alguma, a Assembleia Legislativa de São Paulo”.

Quer dar um gás nos seus negócios? Anuncie aqui!

Não é permitido a cópia do conteúdo deste site.

Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.