A saúde mental no ambiente corporativo deixou de ser apenas um tema de discussão para se
tornar uma responsabilidade concreta das empresas brasileiras. Com as atualizações da Norma
Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passam a ser exigidas a partir de maio de 2026, conforme
diretrizes do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), cresce a necessidade de incluir os
chamados riscos psicossociais na gestão de saúde e segurança do trabalho.
Mais do que uma exigência legal, trata-se de uma mudança importante na forma como as
organizações cuidam de suas equipes e estruturam seus processos internos.
O que é a NR-1 e o que muda na prática
A NR-1 estabelece diretrizes gerais sobre saúde e segurança do trabalho. Com a atualização, as
empresas passam a ter que identificar e gerenciar, dentro do seu Programa de Gerenciamento
de Riscos (PGR), fatores como:
• Estresse ocupacional
• Sobrecarga de trabalho
• Falhas de comunicação
• Assédio moral
• Conflitos interpessoais
• Falta de apoio da liderança
Esses fatores, conhecidos como riscos psicossociais, impactam diretamente o bem-estar dos
colaboradores e, consequentemente, o desempenho das empresas.
A relação com a CLT: o que dizem os artigos 169 e 169-A
A Consolidação das Leis do Trabalho já traz diretrizes importantes sobre o cuidado com a saúde
dos trabalhadores.
O artigo 169 da CLT estabelece a obrigatoriedade dos exames médicos ocupacionais,
garantindo o acompanhamento da saúde física do colaborador ao longo de sua jornada
profissional.
Já a Lei nº 15.377, sancionada em abril de 2026 e publicada no Diário Oficial da União,
incluiu o artigo 169-A na CLT, ampliando esse olhar ao estabelecer que as empresas também
devem promover ações de orientação e conscientização sobre saúde. A norma prevê a
realização de campanhas informativas — incluindo temas como vacinação, HPV e prevenção de
câncer — além de assegurar ao trabalhador até três dias de afastamento por ano para a
realização de exames preventivos.
Na prática, a legislação reforça que o cuidado com o colaborador deve ser integral, envolvendo
tanto aspectos físicos quanto emocionais e preventivos.
Impactos diretos na rotina das empresas
Quando esses fatores não são observados, os efeitos costumam aparecer no dia a dia:
• Aumento de afastamentos
• Queda de produtividade
• Rotatividade de funcionários
• Desgaste no clima organizacional
Por outro lado, empresas que estruturam esse cuidado de forma consistente tendem a ter
equipes mais engajadas e ambientes mais equilibrados.
Além disso, ao manter registros, diagnósticos e ações voltadas à saúde ocupacional, a empresa
demonstra uma atuação preventiva e organizada, o que contribui para maior segurança nas
relações de trabalho e redução de exposições a riscos jurídicos.
Como implantar a NR-1 na prática
Apesar de gerar dúvidas, a implementação pode ser conduzida de forma objetiva e adaptada à
realidade de cada empresa.
O processo geralmente envolve:
1. Diagnóstico do ambiente de trabalho
2. Escuta estruturada dos colaboradores
3. Análise técnica das informações
4. Definição de plano de ação
5. Acompanhamento contínuo
Quando bem estruturado, esse fluxo se integra à rotina da empresa sem burocratizar a operação.
Uma nova forma de pensar a gestão
A atualização da NR-1 acompanha uma tendência global: empresas que cuidam da saúde mental
de suas equipes tendem a apresentar melhores resultados, maior retenção de talentos e
ambientes mais produtivos.
Não se trata apenas de cumprir uma norma, mas de adotar uma gestão mais preventiva,
estratégica e alinhada às novas demandas do mundo do trabalho.
O apoio técnico nesse processo
Embora o conceito seja cada vez mais discutido, a aplicação prática exige conhecimento técnico
e metodologia adequada.
Nesse cenário, empresas especializadas têm auxiliado organizações na estruturação desse
processo.
Na capital paulista, a Lumina, clínica especializada em saúde mental, conduzida pelas sócias
Kathia Soldati Foco e Lana Lee Giambartholomeu, vem ampliando sua atuação para o ambiente
corporativo, apoiando empresas na implementação da NR-1 com foco nos riscos psicossociais.
Mais do que cumprir a lei
A adequação à NR-1 representa uma oportunidade de fortalecer a cultura organizacional, reduzir
riscos e construir ambientes de trabalho mais saudáveis.
Empresas que se antecipam a esse movimento tendem a se posicionar de forma mais sólida,
tanto na gestão interna quanto nas relações de trabalho.
Para quem ainda tem dúvidas sobre como aplicar essas diretrizes no dia a dia, buscar orientação
especializada pode ser um primeiro passo seguro.
Por Kathia Soldati Foco
Especialista em saúde mental e gestão de riscos psicossociais no trabalho
luminakids.sp@gmail.com
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